9 de fevereiro de 2009

funky pants day


muito giro x)





– Francisco, são horas de te deitares. Veste o pijama, lava os dentes e… cama!

As ordens da mãe são para cumprir e, enquanto me preparava, pensava: “Será que os vou ouvir outra vez?”. É que isto acontecia todas as noites: acordava com pequenas vozes que não sabia de onde vinham e, se me mexia, deixava de as ouvir. Ficava muito curioso… “Se hoje os ouvir, tenho a certeza que vou descobrir quem são!”

– Dorme bem, meu filho. Sonhos felizes! – disse a minha mãe, aconchegando-me os cobertores.

Depois de ela sair do quarto, fiquei ansioso. O tempo passava, o tic-tac do relógio preenchia todo o quarto e não conseguia dormir. Esperava, com os ouvidos atentos ao mínimo som. De repente, passos minúsculos ecoaram no quarto! Um pequeno riso e mais passos, mais risos, pequenas vozes sussurravam e eu escutava: “De onde virá o som?”. Lentamente, virei-me e olhei para o chão do meu quarto: uma multidão de pessoas pequeninas que conversavam alegremente, entravam e saiam por uma pequena porta na minha parede, uma porta que eu certamente nunca vira durante o dia. Disse em voz alta:

– Já vos apanhei! Consigo vê-los agora e, por isso, não vale a pena fugirem. Por favor, digam-me quem são… Não quero fazer-vos mal, só quero esclarecer a minha curiosidade!

As pessoas pequeninas ficaram muito assustadas! Mas logo perceberam que eu não lhes faria mal. Então, um deles, com aspecto de ser jovem como eu, disse:

– Nós somos o povo de Peq-enia. Durante séculos vivemos escondidos, atravessando todo o mundo através destas portas mágicas que existem nos quartos das crianças. Cada porta mostra-nos um país diferente, uma realidade diferente, e em cada um desses sítios aprendemos coisas novas. Somos um povo sábio, com um desejo de conhecimento insaciável. Tu és muito inteligente e, como demonstraste uma curiosidade pelo desconhecido semelhante à nossa, vamos deixar-te ver o que está por trás da porta do teu quarto. Come isto – disse o pequeno menino, e estendeu-me um minúsculo cogumelo.

Agarrei-o e, mal o coloquei na boca, senti que estava no ar! No momento seguinte, caí até à cama, escorreguei pelo edredon e pousei no chão, pequenino como a multidão que me olhava, atenta a todos os meus gestos.

O menino estendeu a mão para me ajudar a levantar e sorriu. Não eram precisas palavras, limitei-me a segui-lo até à porta mágica, que não pertencia ao meu quarto. Cada vez mais próxima, emanava uma luz tão brilhante que não permitia que se visse o que estava para lá dela. Era tão forte que magoava. Por isso, tive de fechar os olhos. Mesmo assim, quando os abri, o branco era total!

Lentamente, os meus olhos começaram a habituar-se àquela luminosidade soberba. Foi nessa altura que comecei a ver os contornos de montanhas. Ao princípio, essas linhas no horizonte eram indefinidas. Contudo, passado algum tempo, conseguia distinguir claramente manadas de animais que nunca tinha visto!

Esfreguei os olhos, e reparei que pequenos arbustos de rebuçados se espalhavam por toda a paisagem!

Pestanejei com força pois, se fosse um sonho, iria acordar. Mas não: as pessoas pequeninas continuavam ali, espalhavam-se por todo o lado e limitavam-se a sentir as coisas: tocavam, cheiravam, observavam, escutavam e provavam. Um dos animais estranhos estava a examinar a minha perna, farejando-a com um nariz azulado. Era parecido com um cão, mas tinha penas e era todo em tons de azul e verde. Olhou-me com os seus grandes olhos roxos; eu olhei para ele, também. Toquei-lhe, fiz-lhe pequenas festinhas na cabeça e ele pareceu gostar. Senti o menino pequeno a aproximar-se:

– Isso é um me-nhof. Fizeste amizade com ele, por isso agora será o teu companheiro de sonhos. Sempre que tiveres um pesadelo, ele irá salvar-te e, sempre que tiveres um sonho bom, ele estará na tua cama para te aconchegar. Agora tens de ir, tens de ir para a escola, aprender coisas novas e crescer. Acorda, pequenino, tens de ir para a escola! Acorda, pequenino, tens de ir para a escola!

– Acorda, pequenino, tens de ir para a escola! – A figura do menino transformou-se na da minha mãe, as vozes fundiram-se, eu abri os olhos: não havia pessoas pequeninas, a porta pequenina não estava na parede e não havia sinais do meu amigo me-nhof. Só a minha mãe a dizer-me, mais uma vez, para acordar, lembrando-me que o único pequenino ali era “eu”! Respirei fundo e levantei-me. Fora só um sonho.

Passei o dia a pensar no sonho, a rever todos os detalhes e a desejar que as pessoas pequeninas não tivessem ido embora. Só queria que anoitecesse para me deitar de novo e ver se era sonho ou realidade.

Quando a minha mãe me avisou que eram horas de ir para a cama, corri a lavar os dentes e a vestir o pijama, enrosquei-me na cama e esperei, atento, por um sinal que me provasse que eles estavam lá. O tic-tac era tudo no meio da noite e não existia nem um sinal das vozes. Eu estava triste, quase sentia as lágrimas a afogarem os meus olhos. Até que me lembrei precisamente das palavras do pequeno jovem: “Fizeste amizade com ele, por isso agora será o teu companheiro de sonhos”.

Um sorriso invadiu toda a minha cara, sabia o que fazer. Fechei os olhos, escuridão total. Seria? Claro que não. Uma mancha azul esverdeada corria para mim do fundo do escuro… Eu sabia, bastava adormecer para estar com ele. Já distinguia os seus grandes olhos roxos e sentia a sua felicidade! Ele certamente sentia a minha. Abri os braços para o abraçar. Adormeci feliz.



nada como fazer as composições do irmão! xD C

1 comentário:

  1. gostei, calças verdes e azuis como o pato, 1 puto que nao sabe que nao deve comer coisas de estranhos e muito menos ir com eles a algum lado, é visitado todas as noites nos sonhos, como quem diz ficou traumatizado.

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