
Hoje tive a sensação de fogo nos olhos, a sensação de que o motorista exaltado me ia levar mais cedo para onde eu não queria ir.
O fumo cancerígeno rodopiava e escrevia palavras numa língua morta por cima da minha cabeça, o cigarro apagado era um presságio mímico da minha pobre figura .
Tive a sensação de que o fitar comum do comum mortal me dilacerava a linha do tempo.
Senti que um grande mundo indesejado estava à distância de um puxar de gatilho, por alguém, nalgum sitio, numa hora ao acaso sem razão aparente.
E enquanto esperava que um qualquer cano frio desconhecido, não ficasse em brasa, imaginava o pequeno projéctil metálico ditar a lei da vida.
A voar, lentamente como que a dar tempo para rever todas as pessoas que fizeram valer a pena, desejar conhecer mais um punhado delas e apercebermo-nos que não será uma realidade…
Depois de tudo digerido, ela não perdoou, aguçada e com o intragável aroma a pólvora, não pediu licença…
Entrou, impôs-me o conceito de efemeridade e deitou-me no chão da calçada, o frio não era frio pois era o último, bem como a água quente dos olhos que causava o binómio perfeito, era doce, era meu, a minha última posse inegável.•
Uma reflexão desalinhada da a utopia ilusória que vivemos todos os dias, dou graças por ter dias em que a minha fica a dormir e o medo sai de debaixo da língua…
Hoje, apaixonei-me pelo medo e traí-o com a confiança!
W-karma #